Blog · 6 de agosto de 2026 · Leitura: 3 min
Que potência contratada devo ter em casa? A tabela por tipo de casa
Resposta curta: a maioria das casas portuguesas vive bem num de três escalões — 3,45 kVA para casas pequenas com águas e cozinha a gás; 4,6 a 6,9 kVA para o padrão atual com ar condicionado, máquinas e cozinha elétrica; 10,35 kVA ou trifásico quando entra o carregador do carro elétrico ou tudo-elétrico com consumos altos em simultâneo. Paga-se por escalão no termo fixo da fatura: potência a mais é dinheiro deitado fora todos os meses; a menos é o quadro a cair no jantar de inverno.
A conta certa não se faz por área da casa — faz-se pelos aparelhos que funcionam ao mesmo tempo no seu pior cenário realista. É uma soma de cinco minutos, e fazemo-la já a seguir.
A tabela de referência (e onde se encaixa)
3,45 kVA: T0-T2 com esquentador a gás, fogão a gás, sem AC — a casa "leve" clássica; aguenta máquina de lavar + frigorífico + eletrónica, mas não junta dois aquecimentos elétricos. 4,6 kVA: o degrau do conforto — permite um AC ou um forno elétrico no meio da vida normal. 5,75–6,9 kVA: o padrão das casas atuais — cozinha elétrica (forno + placa), AC, máquinas, termoacumulador; junta dois ou três grandes consumidores sem drama.
10,35 kVA: casas tudo-elétrico com carregador de VE, ou famílias grandes com consumos simultâneos pesados. Trifásico: moradias com potências altas, bombas de piscina, ou requisitos específicos de equipamentos — cada vez menos necessário nas casas novas, cada vez mais herdado nas antigas.
A conta dos cinco minutos
Some os grandes consumidores do seu pior cenário realista — os valores redondos: forno 2.000 W, placa de indução 2.000–3.000 W (em uso normal), máquina de lavar roupa/loiça em aquecimento 2.000 W cada, termoacumulador 1.500–2.000 W, AC 1.000–2.000 W, secador 2.000 W, chaleira 2.200 W. Acrescente 500 W de vida de fundo (frigorífico, luzes, eletrónica) e uma folga de 10-15%.
Exemplo real de jantar de inverno: forno (2.000) + placa (2.500) + AC a aquecer (1.500) + máquina de loiça (2.000) + fundo (500) = 8.500 W — precisa de 10,35 kVA, ou de gestão (a máquina espera pelo fim do jantar) para viver nos 6,9. É exatamente esta escolha — pagar o escalão ou gerir os horários — que a conta lhe devolve.
Como mudar de escalão (e quando a instalação trava a subida)
A mudança pede-se à comercializadora (EDP, Galp, Iberdrola…) — é gratuita ou de custo baixo dentro dos escalões comuns, faz-se remotamente nos contadores inteligentes, e o efeito na fatura é só o termo fixo: subir de 4,6 para 6,9 kVA custa poucos euros por mês.
O travão possível é a instalação: para potências mais altas — e sempre que a instalação é antiga — a distribuidora pode exigir que ela suporte o novo escalão: secção dos cabos de entrada, quadro com proteções adequadas, e certificação quando aplicável. É a parte do processo em que um eletricista trata da avaliação, da adaptação e da papelada de uma vez.
Se a subida de potência exigir adaptação do quadro ou certificação, tratamos do processo completo — avaliação, obra e papelada na E-Redes.
Instalação Elétrica em LisboaPerguntas frequentes
Como sei que potência tenho contratada agora?
Está na fatura de eletricidade, no quadro dos dados do contrato — "potência contratada: X kVA". Se o quadro da casa cai quando junta aparelhos, compare esse X com a conta dos cinco minutos deste artigo: a diferença é o diagnóstico.
Baixar a potência para poupar vale a pena?
Se a conta mostra folga real, sim — cada escalão a menos são euros todos os meses, para sempre. O teste prático: se nunca disparou o geral em anos e a soma do pior cenário cabe no escalão abaixo, desça; o regresso é um telefonema se se arrepender.
kVA e kW são a mesma coisa?
Para efeitos domésticos, praticamente: o kVA é a potência aparente e o kW a útil, e nas cargas de casa os valores andam colados. Leia os 6,9 kVA contratados como "cerca de 6.900 W de consumo simultâneo" e a conta deste artigo funciona.
Equipa Técnica MHM Work
Guias escritos por quem faz as obras: técnicos certificados de climatização (TIM III), eletricidade, canalização e pintura, na Grande Lisboa desde 2018.