Blog · 6 de agosto de 2026 · Leitura: 3 min
A luz vai abaixo quando ligo o forno ou o ar condicionado: potência ou instalação?
Resposta curta: se a casa vai abaixo quando junta o forno com o ar condicionado (ou a máquina, ou o aquecedor), há duas explicações — e o disjuntor que cai diz qual é. Se cai o geral (o disjuntor de entrada, ou o próprio contador a cortar): a potência contratada não chega para o consumo somado. Se cai um disjuntor de circuito: esse circuito está a alimentar mais aparelhos do que devia — um problema de distribuição, não de potência.
A distinção importa porque as soluções não têm nada a ver: uma resolve-se com um telefonema à comercializadora (e por vezes uma adaptação no quadro); a outra resolve-se com circuitos dedicados. E há o terceiro caso, o pior e o mais disfarçado: aguentar tudo sem disparar, com a instalação a aquecer em silêncio.
Caso 1: cai o geral — é potência contratada
A potência contratada é o teto de consumo simultâneo que paga na fatura — os escalões domésticos comuns vão de 3,45 kVA a 6,9 kVA e acima. Uma casa com 3,45 kVA não junta um forno (2 kW) com um ar condicionado (1-2 kW) e uma máquina (2 kW no aquecimento): a conta passa o teto e o corte é matemático.
A solução tem dois degraus: gerir (não juntar os grandes consumidores — funciona, mas é viver a desligar coisas) ou subir o escalão junto da comercializadora. Atenção ao degrau escondido: a partir de certas potências, e em instalações antigas, a subida pode exigir adaptação do quadro e certificação da instalação — a distribuidora não entrega mais potência a uma instalação que não a suporta. A tabela de potências por tipo de casa está neste artigo.
Caso 2: cai um circuito — é distribuição
Se o que dispara é o disjuntor de uma zona, a potência contratada pode até sobrar: o problema é aquele circuito a carregar aparelhos a mais — o cenário típico das casas com dois circuitos para a vida toda, onde a cozinha inteira pendura do mesmo disjuntor.
A solução é cirúrgica e definitiva: circuitos dedicados para os grandes consumidores — forno, placa, cada máquina, ar condicionado, termoacumulador — cada um com o seu disjuntor à medida. Frequentemente reaproveita-se tubagem existente e o grosso do trabalho é no quadro; é exatamente o tipo de intervenção que se orçamenta com uma visita e fotos.
Caso 3: não cai nada — e é o pior
Uma instalação antiga com proteções erradas (fusíveis sobredimensionados "para não ir abaixo", disjuntores trocados por maiores) pode aguentar o consumo somado sem disparar — com os cabos a trabalhar acima do limite e a aquecer dentro das paredes. Os sinais: tomadas mornas, cheiro ténue a quente com os aparelhos grandes ligados, luzes a mergulhar quando algo arranca.
Se a sua casa junta consumos grandes sem nunca disparar E tem quadro antigo, não celebre — verifique. A proteção que nunca atua pode ser proteção que não existe, e essa avaliação é precisamente o que uma inspeção de instalação responde.
Avaliamos a instalação, dizemos se o problema é potência ou circuitos, e tratamos das duas coisas — incluindo o processo na E-Redes.
Instalação Elétrica em LisboaPerguntas frequentes
Subir a potência contratada custa muito?
A mensalidade do termo de potência sobe uns euros por escalão — para uma casa que vive a disparar, é dos melhores euros gastos em conforto. O custo relevante, quando existe, é a adaptação da instalação que a subida pode exigir; a avaliação diz-lhe se é o seu caso antes de qualquer compromisso.
O ar condicionado precisa mesmo de circuito dedicado?
Precisa — qualquer instalador sério o exige, e os fabricantes também: circuito próprio, disjuntor à medida e, nos equipamentos atuais, proteção diferencial adequada. Um AC pendurado numa tomada da sala é uma instalação a pedir os sintomas deste artigo.
Como sei quanta potência a minha casa realmente precisa?
Some os grandes consumidores que usa em simultâneo no pior cenário realista (jantar de inverno: forno + placa + AC + máquina) e adicione a folga da vida corrente. Em regra: T1/T2 sem AC vivem com 3,45–4,6 kVA; casas com AC e cozinha elétrica pedem 5,75–6,9; tudo elétrico com carregador de carro, mais. A conta certa faz-se com a sua lista real.
Equipa Técnica MHM Work
Guias escritos por quem faz as obras: técnicos certificados de climatização (TIM III), eletricidade, canalização e pintura, na Grande Lisboa desde 2018.