Blog · 27 de agosto de 2026 · Leitura: 3 min
Ar condicionado a perder gás: sinais e de quanto em quanto tempo se carrega
Resposta curta: o refrigerante de um ar condicionado circula num circuito fechado e não se consome com o uso. Se o aparelho está com pouca carga, há uma fuga — na ligação flare, na tubagem, numa solda ou na serpentina. A resposta certa à pergunta "de quanto em quanto tempo se carrega" é: em condições normais, nunca.
É por isso que "carregar o gás" todos os anos não é manutenção, é um sintoma mal tratado a repetir-se. Cada recarga sem reparação liberta o gás anterior para a atmosfera e volta ao mesmo ponto meses depois.
Os sinais de que falta refrigerante
Arrefece menos e demora muito mais tempo a atingir a temperatura, sobretudo nos dias mais quentes — em julho e agosto em Lisboa, com a fachada exposta ao sol, é quando o sintoma se torna evidente.
Gelo na tubagem de cobre da unidade exterior ou na serpentina interior, com o aparelho a arrefecer.
Ar a sair menos frio do que o habitual, ainda que o ventilador esteja a trabalhar bem.
Códigos de erro de pressão, ou o aparelho a parar sozinho ao fim de algum tempo em funcionamento.
Mancha oleosa junto às ligações da unidade exterior: o óleo do compressor viaja com o refrigerante e marca o ponto de fuga.
Porque não se recarrega sem reparar
Por três razões, e nenhuma delas é opcional. Técnica: o circuito volta a esvaziar-se, e a trabalhar com carga baixa o compressor aquece e desgasta-se. Económica: paga a carga vezes sem conta em vez de pagar a reparação uma vez.
Legal: os gases fluorados usados nestes equipamentos estão abrangidos pelo regulamento europeu F-Gases. A recuperação e o manuseamento só podem ser feitos por técnicos com certificação própria, e a prática correta obriga a localizar e reparar a fuga antes de recarregar. Ver obrigações F-Gases.
Como se procura uma fuga
Começa pelo mais provável: as ligações flare junto às duas unidades, onde o aperto e a vibração ao longo dos anos criam a maior parte das fugas. Em instalações da Grande Lisboa com dez ou mais anos, e sobretudo em zonas de maresia como Cascais, Oeiras e Costa da Caparica, o segundo suspeito é a corrosão na serpentina exterior.
Os métodos são detetor eletrónico, espuma nas uniões, e — para fugas muito lentas — pressurização com azoto e teste de estanquidade. Localizada a fuga, repara-se, faz-se vácuo ao circuito para retirar humidade e ar, e só então se carrega a quantidade exata que a chapa do equipamento indica.
Se a fuga estiver na serpentina de um equipamento antigo com gás já descontinuado, a conta muda: nesse caso pomos os números da reparação e os da substituição lado a lado antes de decidir.
Procuramos a fuga, reparamos e só depois recarregamos. É a única forma que dura — e a única que a lei permite.
Manutenção e Reparação de Ar Condicionado em LisboaPerguntas frequentes
O gás do ar condicionado é perigoso para quem está em casa?
Os refrigerantes usados em equipamentos domésticos não são tóxicos nas concentrações de uma fuga normal, mas deslocam oxigénio em espaços fechados e o R32 é ligeiramente inflamável. Numa fuga evidente, areje a divisão e evite chamas.
Quanto custa procurar e reparar a fuga?
Depende de onde está. Uma ligação flare a refazer resolve-se na própria visita; uma fuga em serpentina ou em tubagem embutida em parede dá mais trabalho. Damos sempre o valor fechado depois do diagnóstico e antes de avançar.
Posso comprar uma lata de gás e carregar eu mesmo?
Não deve. Sem manómetros e sem vácuo prévio, a carga fica errada e entra humidade no circuito, o que danifica o compressor. Além disso, o manuseamento destes gases exige certificação — não é uma limitação comercial, é regulamentação ambiental.
Equipa Técnica MHM Work
Guias escritos por quem faz as obras: técnicos certificados de climatização (TIM III), eletricidade, canalização e pintura, na Grande Lisboa desde 2018.