Blog · 27 de agosto de 2026 · Leitura: 3 min
Unidade exterior em marquise fechada: o erro que mata o equipamento
Resposta curta: a unidade exterior liberta para o ar o calor retirado de dentro de casa. Numa marquise fechada, esse calor não tem para onde ir — o aparelho volta a aspirar o próprio ar quente, a pressão sobe, o rendimento cai e as proteções acabam por cortar o funcionamento.
É uma das causas mais frequentes de "o ar condicionado só falha nos dias de mais calor" que encontramos em apartamentos da Grande Lisboa. E é sempre nos dias de mais calor, porque é aí que a margem desaparece.
O que acontece por dentro
A unidade exterior precisa de um caudal de ar generoso para dissipar calor. O fabricante indica distâncias livres mínimas à frente, atrás e nas laterais — normalmente de algumas dezenas de centímetros — e conta com ar novo a entrar.
Num espaço fechado, o ar aquece progressivamente. Com o ar de aspiração a 45 ou 50 graus em vez dos 33 da rua, a pressão de condensação dispara. O consumo sobe, a capacidade de arrefecimento cai e o compressor trabalha em esforço permanente.
O resultado prático: o aparelho arrefece mal exatamente quando mais precisa dele, mostra erros de pressão alta e pode entrar em ciclos curtos — ver liga e desliga sozinho. A prazo, encurta a vida do compressor.
Alternativas, por ordem de preferência
Varanda aberta ou fachada, com o equipamento ao ar livre e as distâncias do fabricante respeitadas. É sempre a melhor solução técnica — falta resolver a autorização do condomínio, ver ar condicionado na fachada.
Terraço ou cobertura, quando existe acesso e o condomínio permite. Boa dissipação e ruído longe das janelas.
Marquise com aberturas permanentes generosas, garantindo entrada de ar fresco de um lado e saída do ar quente do outro, sem recirculação. Grelhas fixas de secção adequada, não uma janela basculante que fica fechada no inverno.
Unidade de baixo perfil ou instalação em consola sob a janela, quando a marquise não tem mesmo alternativa e a fachada não permite equipamento visível.
Já está instalada assim. O que fazer?
Antes de pensar em mudar o equipamento de sítio, garanta ventilação cruzada: abrir permanentemente duas zonas da marquise, em lados opostos, muda por completo o comportamento nos dias quentes.
Evite que o ar expelido seja reaspirado. Se a saída do aparelho está a menos de meio metro de uma parede, uma conduta simples que encaminhe o ar para fora resolve boa parte do problema.
Mantenha a serpentina exterior limpa. Em espaço fechado acumula-se mais cotão e pó, e uma serpentina suja agrava exatamente o mesmo problema.
Se nada disto for possível, o passo seguinte é a mudança de posição. É uma obra pequena face ao custo de um compressor.
Avaliamos o local antes de instalar e dizemos-lhe quando a posição desejada não vai funcionar. É mais barato ouvir isso antes.
Instalação de Ar Condicionado em LisboaPerguntas frequentes
E se a marquise tiver a janela sempre aberta no verão?
Ajuda muito, mas depende de haver mesmo circulação e não apenas uma abertura. Ar que entra e sai pelo mesmo sítio recircula. O ideal são duas aberturas afastadas, para haver varrimento.
Posso pôr a unidade exterior dentro de um armário técnico?
Só com grelhas dimensionadas para o caudal do equipamento, e nunca com a saída de ar bloqueada. Armários com portadas decorativas de ripas apertadas são um dos casos em que o equipamento sofre em silêncio durante anos.
A unidade exterior pode ficar ao sol?
Pode e é preferível ao espaço fechado. Sol direto faz perder algum rendimento, mas nada comparável à recirculação de ar quente. Se quiser melhorar, uma pala que faça sombra sem obstruir o fluxo de ar resolve.
Equipa Técnica MHM Work
Guias escritos por quem faz as obras: técnicos certificados de climatização (TIM III), eletricidade, canalização e pintura, na Grande Lisboa desde 2018.